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Para quando a disciplina de felicidade?

(Inscrições abertas a escola, pais, alunos, políticos e a toda a sociedade)

Noutro dia contaram-me que um grupo de 200 jovens foi convidado a eleger dois temas sobre educação que gostaria de verem debatidos. O que eles escolheram deixou-me perplexa e até hoje a pensar nisso. As duas temáticas que escolheram foram: “Psicólogos na escola” e “Suicídio juvenil”.

Fiquei incrédula. Que pedido de ajuda é este? Que papel temos nós nisto? Que mensagem estão a querer passar-nos?

Foi por isso que quis falar disto aqui. Porque não me esqueci. Porque vivemos claramente num tempo em que a competição e as médias assassinaram o prazer da descoberta. Em que só lhes é exigido e não há individualidade na passagem de conhecimento. Porque todos nós temos um papel nisto. Os pais, que têm uma enorme exigência profissional, de trazer dinheiro para casa, e que não conseguem acompanhar os filhos. A escola que arrecada alunos atrás de alunos, como ovelhas, e que não tem tempo para os conhecer como pessoas, como seres humanos. O currículo extenso que não deixa margem de manobra a professores, onde quem ficou para trás, ficou. Os professores, cheios de problemas, desanimados, desrespeitados, cansados… Enfim, todo o sistema está longe, muito longe, de ser feliz.

Agora que está resolvido o problema de quantidade (há escola para toda a gente, o ensino é obrigatório até ao 12º ano), temos todos de resolver o problema da qualidade.

A qualidade não é de infraestruras a meu ver. Sinceramente, prefiro os meus filhos a estudar num barracão com um professor entusiasmado, alegre, amigo. Prefiro que as auxiliares os conheçam pelos nomes, que saibam quem são os seus amigos, que têm uma mão positiva na resolução de conflitos, que a sua função no recreio seja mais que abrirem o portão, limparem secretárias, servirem almoços,…

Uma grande dose de mindfulness de formação era, a meu ver, uma enorme mais valia para quem cuida de crianças. Para quem fala com crianças. Para quem educa crianças. Para quem olhem um miúdo nos olhos e perceba que, talvez atrás de um mau comportamento, está um pedido de ajuda, e não uma afronta.

Falta uma enorme dose de felicidade nas escolas. Falta liberdade aos alunos para decidirem o que preferem. Uma enorme dose de humildade para os professores conduzirem e não apenas decidirem por… Falta tempo para tudo. Tempo para os pais estarem com os filhos, sem atividades, tecnologias e outras distrações. Faltam jogos de tabuleiros e natureza (não é à toa que ela se chama mãe, acredito eu.)

Com a Revista Tribo tenho vindo a conhecer famílias e histórias muito diferentes: Homeschooling, Unschooling, Waldorf, Montesorri, Movimento escola moderna, etc… Todas estas procuras alternativas têm um objetivo em comum: felicidade. E depois outros que lhe estão intrínsecos: respeito, partilha, atenção, tempo…

A forma desrespeitosa com que ameaçamos as nossas crianças, como as premiamos por notas, sem premiarmos valores ou comportamentos, como não respeitamos os seus ciclos individuais de aprendizagem, como ignoramos a arte, a cidadania, a observação ou o desporto como o mais importante para desenvolvermos desde pequeninos e os enchemos de conceitos da vida adulta que matam o mais puro que carregam.

Temos de dar uma volta ao nosso mundo, para que o mundo deles seja mais feliz.

Para que, um dia, os dois temas escolhidos pelos jovens para debater estejam longe de ser “Psicólogos na escola” e “Suicídio juvenil”. E sejam temas felizes. Como eles.

 

 

Rita Ferro Alvim

Publisher da Revista Tribo e blogger

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