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“AS CRIANÇAS DEVEM SER AS PILHAS DOS BRINQUEDOS”

É ESTA A MINHA INTUIÇÃO E NO QUE EU ACREDITO.

Sou um bocadinho extremista na minha opinião em relação à maternidade, educação, alimentação e aos brinquedos das crianças. Na verdade, não gosto de utilizar a palavra “fundamentalista”, mas sou muito fiel aos meus princípios e ao que acredito que seja (para mim) o caminho correto na educação. Cada Pai, deve atuar da forma que acha correta, mas acredito mesmo que as crianças não devem brincar com brinquedos com pilhas, brinquedos tecnológicos. As crianças devem ser as pilhas do brinquedo, o motor. Os brinquedos não devem trabalhar sozinhos, não devem apitar, não devem levar as crianças a olhar para eles.

Um brinquedo é uma ferramenta. É a ferramenta de trabalho, de crescimento da criança. As crianças precisam de determinados brinquedos em cada fase para suprir as necessidades de estímulo e acima de tudo de desenvolvimento. Esses brinquedos não precisam de falar, piscar, cantar, serem caros, nem complicados. Não precisam de ter todas as cores do arco-íris. Precisam de muito pouco para servir o propósito deles.

Acreditamos que os brinquedos:

  • 1- Devem ser de madeira, ou cartão, Borracha;
  • 2- Não devem ser produtos licenciados, agregados a filmes da televisão;
  • 3- Não devem ser fruto de uma compra irrefletida, impulsionada por uma moda passageira; Devem ser intemporais, servir a criança de hoje e a de amanhã
  • 4- São unissexo, uma ferramenta que serve para ensinar / estimular determinada fase do crescimento.

Com isto, temos várias sugestões de brinquedos adaptados às várias fases da vida da criança, que achamos importante explorar. Tendo em mente que cada criança é um mundo, que cada criança tem os seus compassos de crescimento e estímulos. Acreditamos que para começar a montar um quarto de uma criança, devemos utilizar uma lista de regras para criarmos um conjunto de brinquedos positivo, educativos e melhor para as crianças.

Nunca me esqueço de uma vez estar numas aulas de um curso sobre brincar, e a professora fez uma analogia incrível. Ela perguntou:

– Quando chegam ao escritório, de manhã, quantos computadores têm na secretária? E telemóveis? Calculadoras? Há quem precise, mas tem quantas? Ah e cadernos? Sítios onde escrever?  Enfim, vamos assumir que cada um em média tem: um computador, um telemóvel, uma calculadora, um caderno e umas 3 canetas? – toda a gente concordou, então ela prosseguiu – Então imaginem uma secretária com 10 computadores, 8 telemóveis a tocar, 5 calculadoras, 40 canetas, 15 cadernos… Como iriam conseguir concentrar-se? Por onde começavam? – houve quem se tenha rido, houve quem tenha ficado meio perplexo, a ideia era assustadora – então agora olhem para isto, é o que acabei de descrever! Um quarto de criança típico! – E ela mostrou um quarto absolutamente cheio de brinquedos que nem se via o chão! Kilos de plástico, de tralha, brinquedos repetidos, partidos… e depois de todos na sala terem olhado bem para aquilo ela perguntou: – qual é a pessoa que se consegue concentrar e trabalhar ali? Esta é uma secretária com os tais 10 computadores…

Nesse dia acho que consegui dar nome às minha intuições, era isso que eu achava mas não sabia bem defender. Cá em casa os miúdos não têm 500 brinquedos, na verdade nem 10; normalmente há 3, e quando param de cumprir as funções, trocam, não acumulam!

Os brinquedos cumprem funções muito específicas no desenvolvimento da criança. Inicialmente os mais populares são os mobiles de berços, os instrumentos musicais – estimulam a audição, visão e a coordenação motora. Aqui inicia o sentido de causa efeito, ou seja, de tocar numa tecla do piano sai uma nota, que emite um som; se tocar noutra o resultado é diferente. Até aos 12 meses desenvolvemos uma série de competências que ajudam as crianças a defenderem-se de forma quase primária (caso da visão e audição). Dos 12 meses até aos 2 anos, embarcamos numa aventura já de blocos, construção, empilhar, cores, formas geométricas – a brincadeira bem feita nesta fase vai tornar disciplinas como a geometria descritiva fácil ou impossível daqui a 15 anos. O sentido da forma, espaço e volume é nesta fase que é dominada.

É depois dos 2 anos que começam as bonecas, bonecos, quebra-cabeças ou puzzles. Aqui desperta-se muito o sentido de curiosidade, o sentido de mundo. Brinquedos de coordenação motora como triciclos, bicicletas de equilíbrio, bolas. São brinquedos que por um lado instigam o sentido de descoberta, aprendizagem, por outro fortalecem o corpo e ajudam a criança a aprender a conhecer o corpo e torná-lo mais forte / viável.

Entre os 2 e 6 anos é potencialmente a fase mais complicada de controlar os brinquedos com que os nossos filhos brincam, quer pelas instituições (escolas, cresces, etc) quer pela falta de informação de quem anda à volta da criança. Esta fase é potencialmente a mais importante em termos de abertura de cabeça a instigação do desenvolvimento da imaginação / criatividade. Aqui o mais importante é continuar a dar tarefas de rotina (permitir que nos imitem nas tarefas de dia-a-dia como varrer, arrumar a loiça, fazer a cama, arrumar brinquedos…) e por outro lado os brinquedos chamados open-ended (inacabados ou sem função). Os brinquedos open-ended, são brinquedos que não cumprem função a não ser de ser uma ferramenta na mão da criança; tornando como digo sempre, a criança na pilha do brinquedo.

É nesta fase que qualquer boneco vira super-herói, que qualquer conjunto de blocos de madeira vira uma cidade cheia de pormenor, é nesta idade que o mundo é só caminhos e opções. O céu é o limite, e isto é o que queremos para os nossos filhos.

Aos 6 anos entramos no role-play (faz-de-conta), aqui surgem as bonecas para brincar as mães e aos pais, médicos, cozinhas e os demais papeis em que se revejam. O role-play tem como função dar a hipótese a criança de experimentar determinados papeis que como criança nunca cumpriria. Tal e qual como por exemplo um conjunto de dezenas de cubos de madeira com formas e cores diferentes, cumprem funções físicas (visão / motoras), criativas (como montar e com que finalidade) cumprem também funções cognitivas (neste caso matemáticas) que são absolutamente subliminares (mais tarde chamada lógica) – trabalhamos o equilíbrio, escala, proporção, perspetiva; aqui no role-play trabalhamos as emoções, a socialização, sentido de partilha, e claro estimulamos quer a fala / vocabulário / sociabilização. – O role-play é inclusive a forma mais utilizada pelos psicólogos infantis para ajudar as crianças a exprimir determinadas emoções em ambiente terapêutico.

Dos 10 para a frente os brinquedos são sempre mais do género hobby, kits de ciências, magia, livros, xadrez, ou seja, trabalham a parte cognitiva, paciência, perícia, dedicação e alimentam a curiosidade de cada um.

É esta a minha intuição e no que eu acredito.

 

Por Mónica Albuquerque